O que é spread bancário e de cartão? Tudo o que você precisa saber

Heloísa Jahn
Darini Rocha
Revisora
Atualizado
15 de junho de 2026

Se você já se perguntou por que o valor final de uma compra no exterior, de um financiamento ou de uma transferência internacional acaba saindo mais caro do que a cotação do câmbio sugere, o spread bancário pode ser a resposta. Essa taxa aparece em diferentes tipos de operações financeiras e, na maioria das vezes, passa despercebida.

Neste guia, você vai entender o que é spread bancário e spread cambial, como cada um é calculado e onde o custo tende a ser mais alto do que parece. Você também vai descobrir como economizar em compras internacionais e transferências ao exterior.

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O que é spread?

Spread é a diferença entre o preço de compra e o preço de venda de um produto ou ativo financeiro. No dia a dia, pense num comerciante que compra uma mercadoria por R$ 10 e a revende por R$ 15: ele aplica um spread de R$ 5. No mercado financeiro, o raciocínio é o mesmo.

No contexto das finanças pessoais, o spread aparece em dois cenários principais: nas operações de crédito, como empréstimos e financiamentos, e nas operações de câmbio, como compras internacionais no cartão e transferências para o exterior. Os dois tipos funcionam de formas diferentes, e é importante entender cada um deles.

O que é spread bancário?

O spread bancário é a diferença entre a taxa que o banco paga para captar dinheiro e a taxa que ele cobra de quem toma crédito. Em termos práticos: o banco "compra" dinheiro, pagando rendimento a poupadores e investidores, e "vende" esse mesmo dinheiro por um preço maior, cobrando juros de quem pede empréstimo.

Se um banco paga 10% ao ano para captar recursos e cobra 30% ao ano no crédito pessoal, o spread bancário é de 20 pontos percentuais. A fórmula é simples: Spread = taxa de empréstimo - taxa de captação. Esse valor não representa lucro puro, pois geralmente precisa cobrir uma série de custos operacionais e riscos da instituição.

Do que é composto o spread bancário no Brasil?

O spread bancário no Brasil é formado por cinco componentes principais:

- Inadimplência: cobre as perdas com clientes que não pagam as dívidas. É um dos maiores componentes do spread no Brasil;
- Lucro da instituição: a margem de retorno que o banco busca nas operações de crédito;
- Impostos diretos: incluem IR, CSLL, PIS e COFINS, que incidem sobre o resultado das operações;
- Depósito compulsório e encargos regulatórios: parte do dinheiro captado precisa ficar depositado no Banco Central do Brasil (BCB), reduzindo o volume disponível para empréstimos;
- Custos administrativos: despesas com pessoal, infraestrutura e tecnologia para operar o crédito.

Historicamente, a inadimplência e o lucro da instituição respondem pela parcela mais expressiva do spread. O Banco Central do Brasil acompanhou essa composição por meio do Relatório de Economia Bancária (REB), que era publicado anualmente mas foi descontinuado em 2025. Agora, informações como a decomposição do custo do crédito e do spread do Índice de Custo de Crédito (ICC), integram o Relatório de Estabilidade Financeira (REF).

Por que o spread bancário é tão alto no Brasil?

O Brasil tem um dos maiores spreads bancários do mundo, de acordo com dados do Banco Mundial. Alguns fatores estruturais podem ajudar a explicar esse cenário.

A inadimplência elevada pode ser uma das principais causas: quando muitos clientes deixam de pagar, o banco precisa diluir esse risco nos juros cobrados de todos. Além disso, o sistema judiciário torna a recuperação de dívidas mais demorada e custosa do que em outros países, o que eleva o risco percebido pelas instituições. A concentração bancária também contribui: os cinco maiores bancos do país controlam a maior parte do crédito, o que limita a concorrência e reduz o incentivo para baixar as taxas.

Somam-se a isso a carga tributária elevada sobre operações financeiras e o peso do crédito direcionado, como os financiamentos do BNDES. Quando a taxa Selic está em patamares altos, o custo de captação sobe e o spread também tende a acompanhar esse movimento.

O que é spread no cartão de crédito e no câmbio?

O spread cambial (também chamado de spread de câmbio ou spread do cartão) é a margem que uma instituição financeira aplica sobre a cotação do câmbio comercial ao converter uma moeda. Ele é diferente do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que é um imposto federal, e diferente do spread bancário que incide sobre crédito.

Vamos a um exemplo: se o dólar comercial está a R$ 5,50 e o banco aplica um spread de 5%, a cotação final para você é de R$ 5,78 por dólar. Esse custo não aparece em uma linha separada na fatura: ele já está embutido na taxa de câmbio praticada pelo banco.

Em geral, o spread cambial aparece em três situações comuns:

  • Compras com cartão de crédito em sites ou lojas no exterior;
  • Compras em moeda estrangeira no aplicativo do banco;
  • Transferências internacionais feitas por bancos.

Spread vs. IOF: qual é a diferença?

Spread e IOF afetam o custo final de qualquer operação internacional, mas são cobranças distintas. A tabela abaixo mostra as principais diferenças:

Característica

IOF

Spread cambial

O que é

Imposto federal obrigatório

Margem da instituição financeira

Quem cobra

Governo federal

Banco ou provedor de câmbio

Alíquota

3,5% para compras em moeda estrangeira e transferências internacionais*

Varia por instituição (de 0% a mais de 6%)

Como aparece

No extrato ou na fatura da operação

Embutido na taxa de câmbio aplicada

*O IOF é definido pelo Governo Federal e pode variar conforme o tipo de operação. Consulte a alíquota vigente antes de realizar qualquer transação financeira.

*Dados verificados em 11/06/2026.

O IOF é fixo e igual para todos os bancos. Já o spread cambial pode variar muito de uma instituição para outra, o que significa que a escolha do provedor pode fazer uma diferença relevante no custo final da operação.

Como calcular o spread no cartão em uma compra internacional?

Para entender o custo real de uma compra no exterior, considerando o spread, siga este passo a passo:

Passo 1: Consulte a cotação do câmbio comercial no dia da compra. Você pode verificar no Google ou no site do Banco Central do Brasil.

Passo 2: Identifique o percentual de spread cobrado pelo seu banco. Embora as instituições financeiras devam divulgar informações sobre operações internacionais, o spread nem sempre é informado de forma clara ou separada, podendo estar embutido na taxa de câmbio utilizada na conversão da compra.

Passo 3: Calcule o custo com a fórmula:

Valor em R$ = valor em moeda estrangeira x cotação comercial x (1 + spread/100) x (1 + IOF/100)

Exemplo ilustrativo: Imagine uma compra de US$ 200, câmbio comercial a R$ 5,60, spread de 5% e IOF de 3,5%.

- Cotação com spread: R$ 5,60 x 1,05 = R$ 5,88 por dólar
- Valor em reais antes do IOF: US$ 200 x R$ 5,88 = R$ 1.176,00
- IOF: R$ 1.176,00 x 3,5% = R$ 41,16
- Total final: aproximadamente R$ 1.217,16

Sem o spread, o valor seria de aproximadamente R$ 1.160,12. A diferença de cerca de R$ 57 é o custo do spread nessa compra.

Quanto cada banco e provedor cobra de spread cambial?

Esta é a informação mais importante para quem faz compras ou transferências internacionais com frequência. O spread cambial pode variar muito entre instituições e, dependendo da transação, pode representar centenas de reais em operações maiores.

A tabela abaixo compara o spread cambial cobrado pelos principais bancos e provedores no Brasil. A principal alíquota do IOF atualmente é de 3,5% para todos, conforme o Decreto Nº 12.499, de junho de 2025.

Instituição

Tipo

IOF

Spread

Custo total

Cooperativas (Sicoob, Unicred, Uniprime)

Cartão de crédito

3,5%

0%

3,5%

Wise

Conta multimoeda

3,5%

0%

3,50%*

Banco Inter

Global Account

3,5%

0,99%

4,49%

C6 Bank

Conta Global

3,5%

0,90% a 0,75% (varia conforme o valor)

até 4,40%

Bradesco

Cartão de crédito

3,5%

5,29%*

8,79%

*Dados pesquisados em 11 de junho de 2026. Verifique os valores atualizados diretamente nos canais oficiais das instituições antes de realizar qualquer operação, pois as tarifas podem mudar sem aviso prévio.

*A Wise não cobra spread cambial, ela usa o câmbio comercial sem adicionar margem e cobra uma taxa de serviço separada a partir de 0,78%.

*O Bradesco não divulga seu spread cambial publicamente. Por isso, o valor apresentado é uma estimativa calculada a partir da PTAX de venda do Banco Central e da taxa de conversão informada pelo banco para compras internacionais em 10 de junho de 2026.

Algumas cooperativas de crédito podem se destacar por oferecer spread zero em cartões de crédito internacionais. Plataformas especializadas, como a Wise, também não aplicam spread na conversão. No entanto, a plataforma tem uma tarifa de serviço a partir de 0,78%, que pode variar conforme a moeda e transação.

Já grandes bancos privados nem sempre informam publicamente o spread aplicado. Em geral, o valor é informado na fatura do cartão, quando realizadas compras internacionais. Sites especializados indicam que os custos podem variar entre 5% e 9% de spread, elevando o custo total da operação. No entanto, não conseguimos confirmar a tarifa junto aos bancos — o valor apresentado do Bradesco na tabela é uma estimativa. Vale comparar as tarifas antes de realizar as suas operações.

Como o spread impacta seu dia a dia?

O spread não é apenas um conceito financeiro abstrato. Ele aparece em situações concretas para quem lida com finanças internacionais regularmente. Abaixo, vamos apresentar alguns cenários em que o spread pode causar impactos.

Empréstimo ou financiamento
Um spread alto no crédito pessoal ou no financiamento de um veículo pode representar centenas de reais a mais no custo total da operação. Ao comparar propostas de crédito, não olhe apenas para a taxa de juros anunciada. O indicador mais relevante é o CET (Custo Efetivo Total), que consolida todas as taxas, impostos e encargos da operação. Você pode solicitar o CET de qualquer proposta antes de assinar o contrato.

Compras com cartão de crédito no exterior ou em sites internacionais
Com spread de 5% mais IOF de 3,5%, uma compra de US$ 500 pode custar entre R$ 80 e R$ 100 a mais do que a cotação do câmbio comercial indica. Se você compra em sites internacionais com frequência, dependendo do volume e da frequência das transações, usar um cartão com spread zero ou uma conta multimoeda pode gerar uma economia relevante ao longo do ano. Vale comparar o spread cambial de cada opção antes de decidir.

Transferências internacionais
Bancos podem adicionar spread ao câmbio comercial sem informar isso de forma clara. Em uma remessa de R$ 5.000, o spread pode reduzir o valor que chega ao destinatário em R$ 200 a R$ 400, dependendo do banco escolhido. Antes de enviar dinheiro ao exterior, vale comparar as condições disponíveis.

⚠️As transferências internacionais realizadas no Brasil são reportadas ao Banco Central do Brasil e à Receita Federal, conforme exige a legislação brasileira.

Faça transferências internacionais com câmbio comercial usando a Wise

在城市大橋背景下,一手握著手機顯示 Wise App 帳戶餘額面(包含歐元與英鎊帳戶),另一手拿著亮綠色的 Wise 個人卡。

A Wise se diferencia pela forma como trabalha com o câmbio: em vez de adicionar margem de spread sobre a cotação, ela usa a taxa de câmbio comercial (a mesma disponível no Google e no site do Banco Central) para a maioria das moedas. E cobra uma taxa de serviço separada, informada antes da confirmação da operação. A taxa de serviço começa em 0,78% e pode variar conforme a moeda e o valor enviado.

Isso significa que você vê o custo total antes de concluir a transferência, incluindo quanto está pagando de taxa de serviço e IOF, sem cobranças inesperadas. A Wise é autorizada a operar câmbio pelo Banco Central do Brasil, o que reforça a conformidade regulatória das operações realizadas na plataforma.

Para entender o custo real de uma transferência, uma alternativa pode ser utilizar o simulador disponível no site da Wise. Ele apresenta câmbio, taxa de serviço e IOF de forma consolidada, permitindo uma comparação direta com outras opções. Confira também nosso guia sobre a forma mais barata de enviar dinheiro para o exterior.

Todas as transferências realizadas com a Wise são reportadas ao Banco Central do Brasil e à Receita Federal, conforme exige a legislação brasileira.

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Perguntas frequentes sobre spread bancário e de cartão

Spread bancário e spread cambial são a mesma coisa?

Não, são dois conceitos distintos. O spread bancário refere-se à margem nas operações de crédito, ou seja, à diferença entre a taxa de captação e a taxa de empréstimo. O spread cambial é a margem aplicada na conversão de moedas em operações internacionais. Os dois tipos de spread atuam em contextos completamente diferentes e não devem ser confundidos.

O que é spread de câmbio no Pix internacional?

O Pix em si não cobra spread, pois é um sistema de pagamento instantâneo entre contas em reais. No entanto, ao usar o Pix para financiar uma transferência internacional por meio de um banco ou plataforma especializada, a conversão da moeda pode envolver spread cambial definido pela instituição que realiza a operação. Consulte o seu provedor para verificar as condições e a regulamentação vigente sobre Pix transfronteiriço no momento da operação.

Spread afeta o rendimento de investimentos?

Sim, de formas diferentes. Em renda fixa, o spread de crédito é a diferença de rentabilidade entre dois títulos de prazo similar: uma debênture, por exemplo, costuma pagar mais do que um Tesouro IPCA+ por embutir um spread que compensa o risco maior do emissor. Em fundos cambiais e produtos atrelados a moedas estrangeiras, o spread cambial pode impactar o custo de entrada e saída da aplicação. Para produtos bancários básicos como CDB, LCI e LCA, o spread bancário influencia as taxas de remuneração oferecidas pelos bancos.

Como saber qual é o spread cobrado pelo meu banco no cartão?

Verifique as informações sobre compras internacionais nos canais oficiais do banco e na fatura do cartão. Caso o spread não seja divulgado de forma explícita, compare a cotação utilizada na conversão da compra com uma taxa de referência, como a PTAX, para estimar a margem aplicada pela instituição.

É possível evitar o spread cambial em viagens internacionais?

Na maioria dos casos, não é possível eliminar completamente os custos de conversão cambial, mas existem formas de reduzi-los. Algumas instituições financeiras podem oferecer cartões com spread reduzido ou até mesmo sem spread em determinadas modalidades. Contas multimoeda também podem apresentar custos de conversão mais competitivos do que os praticados por alguns bancos. Outra dica é evitar a conversão para reais oferecida por estabelecimentos no exterior (DCC – Dynamic Currency Conversion), pois ela pode resultar em uma taxa de câmbio menos vantajosa. Já o IOF é um tributo aplicado às operações internacionais e, atualmente, sua alíquota é de 3,5%, conforme a legislação vigente.

Antes de viajar, consulte também os limites para transferências internacionais para planejar suas movimentações.

O spread bancário influencia a taxa Selic?

A relação entre a Selic e o spread bancário é indireta. A Selic é a taxa básica de juros definida pelo Banco Central e serve de referência para o custo de captação dos bancos. Quando a Selic sobe, o custo de captação aumenta e o spread tende a crescer também, pois parte desse custo é repassada ao crédito. O inverso ocorre quando a Selic cai. No entanto, o spread depende de outros fatores além da Selic, como inadimplência, concentração bancária e custos operacionais, por isso a relação não é direta nem proporcional.

Fontes consultadas: