Limite de compras no exterior: regras da Receita Federal

Heloísa Jahn
Darini Rocha
Revisora
Atualizado
10 de agosto de 2026

Se a sua dúvida é sobre quanto um viajante pode trazer do exterior ao voltar ao Brasil sem pagar imposto, a resposta começa pela cota de isenção. Mas o valor sozinho não resolve tudo, porque a Receita Federal também considera o tipo de item, a quantidade e a forma de entrada no país.

Ao aplicar as regras, a alfândega verifica se o produto pode ser tratado como uso pessoal, se entra na cota de isenção e se a declaração deve ser preenchida. Neste guia, vamos apresentar as regras da Receita Federal para compras no exterior, limites, quando e como declarar, e dicas para sua próxima viagem.

⚠️ Informações checadas em agosto de 2026 no site da Receita Federal. Como as regras podem ser alteradas, confirme antes de viajar. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica, tributária ou aduaneira profissional.

Principais conclusões:

Situação

Valor/limite

Entra na cota?

Precisa declarar?

Observação

Chegada ao Brasil por via aérea ou marítima

US$ 1.000

Sim, para bens tributáveis

Quando houver excesso ou outra hipótese de declaração

Cota individual e intransferível

Chegada por via terrestre, fluvial ou lacustre

US$ 500

Sim, para bens tributáveis

Se houver excesso ou outra hipótese de declaração

Regra diferente da via aérea ou marítima, como limites quantitativos 

Bem de uso pessoal compatível com a viagem

Sem limite fixo de valor

Não

Em geral, não

Precisa ser de uso próprio, usado e compatível com a viagem

Compras em free shop de chegada ao Brasil

US$ 1.000 adicional

Não entra na cota da bagagem

Só se exceder a cota adicional ou limite quantitativo

Vale no primeiro aeroporto de desembarque no Brasil

Soma de cotas entre familiares

Não permitida

Não

Não

A Receita informa que a cota é individual

Excedente da cota ou do limite quantitativo

Imposto de 50% sobre o valor

Sim

Sim

Pode haver multa se o viajante omitir a declaração

Uma dúvida comum é achar que toda compra pequena fica fora da regra. Na prática, o que pesa não é só o tamanho do item, mas também sua natureza, quantidade e enquadramento nas normas da Receita Federal.

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Qual é o limite de compras no exterior pela Receita Federal?

A regra-base da Receita Federal sobre cota de isenção e free shop é objetiva: quem chega ao Brasil por via aérea ou marítima tem cota de isenção de US$ 1.000 (mil dólares) para bens tributáveis trazidos na bagagem acompanhada. Nas demais vias internacionais, como entrada terrestre, fluvial ou lacustre, a cota é de US$ 500 (quinhentos dólares).

Um ponto importante é que a cota vale por viajante. Ela é individual e intransferível, então o total da família não vira uma cota única para concentrar um item mais caro.

Como a cota é individual, vale a pena que cada viajante acompanhar de perto quanto já gastou em moeda estrangeira. A conta Wise multimoeda e o cartão Wise podem ajudar nesse controle, facilitando a leitura do que já foi gasto. No entanto, isso não muda a regra da Receita Federal nem cria benefício fiscal.

A cota vale a cada viagem ou a cada 30 dias?

De acordo com a Receita Federal, a cota de isenção só pode ser usada uma vez a cada intervalo de 30 dias. Em termos práticos, fazer duas viagens em curto intervalo não significa ter direito automático a duas cotas.

O que entra e o que não entra na cota

O erro mais comum é olhar só o preço da compra. Na volta ao Brasil, a análise também passa pela natureza do bem, pela quantidade e pelos sinais de uso.

A lógica prática é esta: há itens que ficam fora da cota por sua própria natureza, itens que entram na cota de isenção e situações em que a compra pode exigir declaração.

Não entra na cota

Entra na cota

Pode exigir declaração

Livros, folhetos, periódicos e bens de uso pessoal compatíveis com a viagem

Eletrônicos novos, perfumes, relógios, lembrancinhas e presentes

Bens acima da cota, excesso quantitativo, itens sujeitos a controle de outros órgãos, bens destinados a pessoa jurídica

Bens de uso pessoal: quando um item pode ficar fora da cota

Segundo a página de perguntas e respostas da Receita Federal, um bem de uso pessoal precisa atender a critérios cumulativos. Isso significa que não basta dizer que a compra era para você.

Um ponto que vale saber é que tirar o produto da caixa, sozinho, não garante o enquadramento como uso pessoal. A autoridade aduaneira pode considerar o contexto completo da viagem.

Checklist prático:

  • O item deve ser de uso próprio do viajante;
  • A compra deve fazer sentido para as circunstâncias da viagem;
  • O bem deve estar em condição de usado;
  • A natureza e a quantidade precisam ser compatíveis com a viagem.

Roupas usadas, itens de higiene e um celular em uso costumam ser os exemplos mais claros. Já eletrônicos novos, itens repetidos ou compras que pareçam presente ou revenda podem entrar em uma análise mais restritiva.

Como funciona o duty free e os limites quantitativos

A regra do duty free pode gerar confusão porque existem dois momentos diferentes de compra. Se a compra foi feita em free shop na saída do Brasil ou no exterior, ela volta com você e entra na cota da bagagem acompanhada.

Já o free shop de chegada ao Brasil funciona de outro jeito. No primeiro aeroporto de desembarque no país, o viajante tem uma cota adicional própria para compras na loja franca de entrada. Hoje, essa cota adicional é de US$ 1.000, separada da cota da bagagem acompanhada.

Além do valor, existem limites quantitativos. Eles importam porque a isenção não depende só do total gasto, mas também da quantidade de certos produtos. Como a Receita Federal pode atualizar procedimentos, vale confirmar a regra vigente antes da viagem.

Categoria

Bagagem

Free shop de chegada

Limite quantitativo

Observação

Bebidas alcoólicas

Entra na cota da bagagem

Cota adicional própria

12 litros na bagagem



No free shop de chegada por aeroporto ou porto: até 24 unidades, com máximo de 12 por tipo

Menores de 18 anos não podem trazer

Cigarros

Entra na cota da bagagem

Cota adicional própria

10 maços na bagagem; 20 maços no free shop de chegada

Menores de 18 anos não podem trazer

Charutos ou cigarrilhas

Entra na cota da bagagem

Cota adicional própria

25 unidades

Menores de 18 anos não podem trazer

Fumo

Entra na cota da bagagem

Cota adicional própria

250 gramas

Menores de 18 anos não podem trazer

Perfumes, eletrônicos e outros bens

Entra na cota da bagagem

Cota adicional própria

Sem limite específico na tabela do free shop, mas sujeito ao valor total da cota ou limites quantitativos de valor

A quantidade ainda pode ser avaliada pela fiscalização

Ultrapassei o limite: imposto, multa e retenção

Se você ultrapassar a cota de isenção, o imposto de importação no regime de bagagem é de 50% sobre o excedente tributável, conforme a Receita Federal. Se a sua chegada foi por via aérea e o excedente foi de US$ 400, por exemplo, o imposto será calculado sobre esses US$ 400, usando o câmbio da data de transmissão da Declaração Eletrônica de Bens do Viajante (e-DBV).

Se o viajante deveria declarar e escolhe o canal de “nada a declarar”, a Receita pode tratar isso como declaração falsa. Nesse caso, além do imposto sobre o excedente, pode haver multa adicional correspondente a 50% do valor excedente.

Na prática, a alfândega pode exigir a declaração, o pagamento do DARF e reter os bens até a regularização. Se o pagamento não for feito no momento, os bens podem ser retidos pela Receita.

Quando a e-DBV passa a ser obrigatória?

A e-DBV passa a ser obrigatória, entre outros casos, quando o viajante entra no Brasil com:

  • Bens acima da cota de valor para sua via de entrada;
  • Bens acima do limite quantitativo para a isenção;
  • Bens destinados a pessoa jurídica;
  • Bens que não se enquadram como bagagem;
  • Itens sujeitos ao controle de outros órgãos federais.

A declaração também pode ser feita voluntariamente quando o viajante quer documentar a entrada regular de um bem no Brasil.

Compras online entram nessa mesma regra?

Não. A cota de compras no exterior para bagagem acompanhada de viajante não é a mesma regra usada para compras internacionais pela internet.

Esta página trata de bens trazidos fisicamente pelo viajante no retorno ao Brasil. Compras online seguem outro regime tributário, com regras próprias de remessa internacional, então misturar os dois assuntos pode gerar erros de interpretação.

Como se organizar antes de voltar ao Brasil

Se você deixar para somar tudo só no aeroporto, o risco de cometer erros pode aumentar. Um pouco de organização antes do embarque pode ajudar a separar o que pode ser uso pessoal, o que entra na cota e o que já pede declaração. Veja um checklist para conferir antes de retornar ao Brasil:

    ✅ Guarde notas e recibos das compras;

    ✅ Separe os itens por categoria, como eletrônicos, perfumes e roupas;

    ✅ Revise o total gasto antes de sair do hotel ou do último destino;

    ✅ Não presuma que item sem caixa vira uso pessoal;

    ✅ Confira se há excesso de quantidade em bebidas, cigarros ou itens repetidos;

    ✅ Confirme as regras atualizadas na Receita Federal.

Perguntas frequentes sobre limite de compras no exterior e Receita Federal

A cota da Receita Federal pode ser somada entre familiares?

Não. A regra oficial informa que a cota é individual e intransferível, então marido, esposa, filhos ou outros familiares não somam automaticamente suas cotas para concentrar um único item mais caro. Se houver declaração, ela também é individual.

Compras no duty free entram no limite de US$ 1.000?

Depende do momento e do local da compra. Compras em duty free na saída do Brasil ou no exterior entram na cota da bagagem, enquanto o free shop de chegada ao Brasil tem cota adicional própria.

O que acontece se eu não declarar compras do exterior?

Quando a declaração é obrigatória, a omissão pode gerar multa, retenção dos bens e exigência de regularização. O melhor caminho é preencher a e-DBV e seguir pelo canal bens a declarar quando houver excesso ou outra hipótese oficial.

Fontes consultadas: