Como comprar carro na Argentina sendo brasileiro: guia completo

Heloísa Jahn
Darini Rocha
Revisora
Atualizado
22 de junho de 2026

Comprar um carro na Argentina é uma possibilidade para brasileiros — seja para quem mora, estuda ou trabalha no país, seja para quem está de olho em modelos que não chegam ao Brasil. O processo, porém, envolve documentação específica, burocracia local e, dependendo do seu objetivo, regras bem diferentes.

Neste guia, você vai entender como funciona a compra de um carro na Argentina sendo brasileiro, quais documentos são obrigatórios e o que acontece se a ideia for trazer o veículo definitivamente para o Brasil.

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Pontos principais:

  • Um brasileiro pode comprar um carro na Argentina como pessoa física, mas precisa de documentos específicos, incluindo o CDI (Clave de Identificación), o equivalente argentino ao CPF para estrangeiros;
  • Existem dois cenários distintos: comprar para usar na Argentina e comprar para trazer definitivamente ao Brasil. As regras, custos e processos são completamente diferentes nos dois casos;
  • Veículos zero-quilômetro, nunca emplacados, podem ser importados ao Brasil. Já os usados só são permitidos com mais de 30 anos de fabricação (categoria colecionador), salvo exceções como herança ou mudança definitiva de residência;
  • A importação de um carro para o Brasil exige o pagamento de impostos como II, IPI, PIS/COFINS e ICMS, que podem dobrar o valor original do veículo;
  • A forma de pagamento pode impactar diretamente o custo total da compra: veículos de maior valor são frequentemente cotados em dólares na Argentina, e usar uma conta com câmbio comercial pode ajudar a reduzir custos na conversão, dependendo da transação;

  • Para a maioria dos brasileiros, importar carros populares disponíveis no mercado nacional pode representar um custo maior do que o custo do mesmo modelo no Brasil. A operação pode fazer sentido apenas em casos específicos, como colecionadores ou modelos exclusivos.

É possível comprar carro na Argentina sendo brasileiro?

Sim, é possível. Um brasileiro pode comprar um veículo na Argentina tanto para uso local quanto para importar ao Brasil, mas as regras podem variar dependendo da sua intenção. Entenda:

Comprar para usar na Argentina: quem mora, estuda ou trabalha no país pode adquirir um carro, emplacá-lo localmente e usá-lo no dia a dia. Em geral, o processo exige documentação específica, mas pode ser acessível.

Comprar para trazer ao Brasil: a importação por pessoa física tem regras e restrições previstas na legislação brasileira, etapas que podem ser burocráticas e que envolvem o pagamento de impostos.

A seguir, vamos detalhar os dois caminhos para que você escolha o que faz mais sentido para o seu caso.

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Documentos necessários para comprar carro na Argentina como brasileiro

Engana-se quem acha que é só chegar com o dinheiro e fechar negócio. O processo exige uma série de documentos obrigatórios. Confira o checklist:

  • CDI (Clave de Identificación): é o "CPF do estrangeiro" emitido pela ARCA (Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro). Sem ele, não é possível registrar um veículo na Argentina como estrangeiro;
  • Passaporte ou RG brasileiro válido: deve ter menos de 10 anos de emissão e estar em boas condições;
  • Certificado de domicílio fixo na Argentina (radicación): comprova que você tem um endereço no país, se aplicável. Pode ser obtido em uma delegacia local com apresentação do passaporte e um comprovante de moradia;
  • Ficha 08 Digital: documento de transferência de titularidade do veículo. Em 2025, o processo foi parcialmente digitalizado, mas ainda é necessário certificar a assinatura em um cartório;
  • Formulário 12 (Verificação Policial): exigido apenas para carros usados. Confirma que o chassi e o motor do veículo não foram adulterados.

Como obter o CDI na Argentina

O CDI, Clave de Identificación, é o número de identificação fiscal emitido pela ARCA para quem não tem o DNI (documento nacional de identidade argentino). Ele é obrigatório para comprar bens registráveis no país, como um veículo.

Para obter o CDI, o brasileiro precisa apresentar o passaporte e um certificado de domicílio argentino em uma agência da ARCA. O formulário a ser preenchido é o F663 (Novo Modelo), entregue em duas vias. O processo é gratuito, mas deve ser feito presencialmente na agência correspondente ao endereço declarado.

Para não residentes, o prazo de processamento pode chegar a 30 dias úteis. Por isso, planeje com antecedência e não deixe essa etapa para última hora. Consulte o site oficial da ARCA para verificar os requisitos atualizados antes de iniciar o processo.

Passo a passo para comprar um carro na Argentina

Com os documentos em mãos, você pode iniciar o processo de compra. De maneira geral, as etapas são:

  1. Pesquise e selecione o veículo: use plataformas como Autocosmos, Mercado Libre Autos e Car One. Para veículos novos, prefira concessionárias oficiais das marcas.
  2. Agende uma visita ou contato: se for presencialmente, combine com a concessionária ou o vendedor. Se for à distância, exija um tour em vídeo e fotos detalhadas — no entanto, é sempre recomendável vistoriar o veículo pessoalmente antes da compra;
  3. Verifique a procedência do veículo: para usados, exija o Formulário 12. Confira se o número do chassi confere com a documentação e se não há dívidas ou infrações associadas ao veículo.
  4. Negocie e assine o contrato de compra e venda: certifique-se de que todas as condições acordadas estejam documentadas: valor, forma de pagamento, prazo e responsabilidades de cada parte.
  5. Reúna a documentação obrigatória: CDI, passaporte ou RG, certificado de domicílio e, para usados, a verificação policial.
  6. Realize o pagamento: as condições de pagamento podem variar conforme a negociação. Na próxima seção, vamos falar sobre cuidados importantes para garantir a regularidade da transação.
  7. Transfira a titularidade no Registro Automotor: A Ficha 08 Digital formaliza a transferência do veículo para o seu nome. Esse registro é feito presencialmente e pode ter um custo de cartório.

Atenção: não saia do país com o veículo sem ter a titularidade devidamente transferida no Registro Automotor argentino. Sem isso, o carro tecnicamente ainda pertence ao vendedor.

Como pagar um carro na Argentina: moeda, câmbio e formas de pagamento

Este é o ponto que pode gerar mais dúvidas e o que pode impactar o custo real da compra. Os preços de veículos na Argentina são cotados em pesos argentinos (ARS), mas negociações de alto valor frequentemente usam o dólar americano como referência. Vale conferir isso antes de começar as negociações.

O peso argentino tem histórico de alta inflação e volatilidade. Isso torna o câmbio paralelo uma tentação para quem quer "economizar", mas operar fora do câmbio oficial pode trazer riscos legais e financeiros reais.

Ao pagar uma compra de alto valor no exterior vale buscar por alternativas que usem o câmbio real, também chamado de câmbio interbancário ou comercial. Esse é o câmbio que você vê no Google, sem margens ocultas. Com a conta multimoeda da Wise, por exemplo, você pode converter reais para dólares ou pesos argentinos usando o câmbio comercial, acompanhar a taxa antes de fechar o negócio e ter total controle das transações pelo app — outras taxas podem ser aplicadas conforme a operação. Na prática, isso significa saber quanto vai custar a conversão antes de realizar a compra de moedas.

Já para pagamentos presenciais, o cartão de débito internacional da Wise também pode ser uma alternativa útil. Ele permite pagar na moeda local de mais de 150 países, incluindo a Argentina.

Para transferências internacionais de valor mais alto, vale consultar as condições da plataforma e simular o custo total antes da operação.

⚠️Atenção: transferências internacionais realizadas por residentes no Brasil são reportadas à Receita Federal e ao Banco Central, conforme a legislação vigente. Este conteúdo tem caráter informativo e não deve ser interpretado como orientação para movimentação irregular de divisas.

Comprar carro na Argentina para usar lá: o que muda?

Se a sua intenção é usar o carro na Argentina — seja porque você mora, estuda ou trabalha no país — o processo pode ser mais simples do que a importação para o Brasil. Mas há alguns pontos que você precisa conhecer:

  • Emplacamento local (radicación): o veículo deve ser registrado e emplacado no Registro Nacional de la Propiedad del Automotor (DNRPA) com o seu nome. Para isso, você precisa ter o CDI e um endereço fixo no país;
  • Seguro obrigatório: a Argentina exige o Seguro Obligatorio de Responsabilidad Civil para qualquer veículo em circulação. Seguradoras locais atendem estrangeiros com CDI;
  • Patente: é o equivalente ao IPVA brasileiro. O valor varia conforme a província onde o carro está registrado e o tipo do veículo.

Importante: um veículo emplacado na Argentina não pode ser importado definitivamente ao Brasil como se fosse zero-quilômetro. Uma vez que ele recebe placa argentina, ele passa a ser legalmente "usado" para fins aduaneiros brasileiros e, neste caso, as regras de importação precisam ser respeitadas.

Como trazer um carro comprado na Argentina para o Brasil?

Não é possível simplesmente dirigir o carro da Argentina até o Brasil para importá-lo definitivamente. O veículo precisa ser transportado por meio adequado, como caminhão-cegonha, e não pode ter sido emplacado anteriormente. Transportar o veículo dirigindo até a fronteira inviabiliza a importação. Além disso, é necessário solicitar a documentação e pagar os impostos exigidos pela legislação brasileira.

Em geral, para importar legalmente um veículo argentino ao Brasil você precisa:

  • Licença ambiental (LCVM): para veículos zero-quilômetro, é exigida a Licença para Uso da Configuração de Veículo ou Motor, emitida pelo Ibama. Veículos de colecionador com mais de 30 anos podem ter dispensa;
  • Licença de Importação (LI): é emitida pelo Siscomex, com os dados técnicos do veículo e a documentação obrigatória. Esse é o ponto de partida formal do processo de importação;
  • Contratação de transporte adequado: o veículo deve sair da Argentina por meios formais, com documentação de exportação e seguro internacional;
  • Declaração de Importação (DI): Preenchida junto à Receita Federal via Siscomex, formaliza a entrada do veículo no território brasileiro;
  • Pagamento dos impostos: diferentes impostos podem incidir sobre a importação de veículos da Argentina para o Brasil. Veja a próxima seção para entender quais;
  • Emissão do CAT (Senatran/Denatran): o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito comprova que o modelo atende às normas brasileiras de trânsito e segurança;
  • Registro no DETRAN e emplacamento: com o veículo liberado e todos os documentos em ordem, é hora de fazer o registro no DETRAN do estado onde ele vai circular, emitir o CRLV e emplacar o carro.

Importar um veículo comprado na Argentina para o Brasil é um processo que requer atenção aos detalhes e o cumprimento da legislação vigente. São vários órgãos e prazos envolvidos. Um erro em qualquer etapa pode gerar atrasos e custos adicionais, por isso é recomendável contratar um despachante aduaneiro especializado em importação de veículos.

Quais impostos incidem na importação de carro da Argentina ao Brasil?

Ao importar um veículo, de maneira geral, você precisará pagar os seguintes tributos:

Imposto

O que é

II — Imposto de Importação

Incide sobre o valor aduaneiro do veículo

IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados

Varia conforme o tipo e a motorização do veículo

PIS/COFINS

Contribuições federais sobre a importação

ICMS

Imposto estadual; alíquota varia conforme o estado de destino

O valor exato depende do tipo de veículo, da motorização, do valor FOB (valor do bem sem frete e seguro) declarado e do estado de destino. Somados, esses impostos podem representar uma parcela significativa do valor do carro, chegando a encarecer a operação para a maioria dos modelos.

Consulte a tabela de alíquotas atualizada diretamente no site da Receita Federal antes de tomar qualquer decisão. E, de preferência, peça a um despachante aduaneiro uma simulação completa com o modelo específico que você está avaliando, para ter uma estimativa do custo real.

Adaptação do motor para o combustível brasileiro

A gasolina vendida no Brasil contém 30% de etanol (álcool), enquanto a Argentina usa gasolina sem mistura de álcool. Veículos fabricados para o mercado argentino podem sofrer danos no sistema de combustível ao rodar com a gasolina brasileira sem nenhuma adaptação.

Essa adequação é obrigatória: o DETRAN vai exigir que o veículo seja adaptado para aceitar o combustível nacional antes do registro. O custo da conversão é mais um item que precisa entrar no seu orçamento total de importação. Consulte uma oficina especializada para estimar o valor antes de fechar o negócio.

Vale a pena comprar carro na Argentina e trazer para o Brasil?

A resposta direta é: para a maioria dos brasileiros, pode não valer a pena. Pelo menos não para carros populares e modelos amplamente disponíveis no mercado nacional.

Os preços dos carros na Argentina variam bastante conforme a economia local e o câmbio do momento. Em alguns períodos, veículos podem parecer mais baratos na conversão, mas os impostos de importação, o despachante, o transporte e a adaptação do motor podem reduzir qualquer vantagem de preço, além de todo o trabalho burocrático envolvido.

A conta pode fechar em casos bem específicos:

Situação

Vale a pena?

Colecionador buscando modelo com mais de 30 anos

Pode valer, dependendo da raridade do veículo

Modelo exclusivo não vendido no Brasil (ex: VW Touareg, Nissan Murano, Toyota 86)

Pode valer, mas exige análise detalhada

Mudança definitiva de residência para o Brasil

Pode haver benefícios fiscais, consulte a legislação

Carros populares disponíveis no mercado nacional

Geralmente não vale a pena

Para saber se faz sentido no seu caso, monte uma planilha com: valor do carro em reais, impostos estimados, custo do despachante, transporte até o Brasil e adaptação do motor. Compare com o preço de comprar o mesmo modelo (ou similar) no Brasil. Consulte também um despachante aduaneiro para obter ajuda especializada.

Como pagar compras internacionais de alto valor com a Wise

Quando você está comprando um carro na Argentina, está lidando com uma transação de alto valor em moeda estrangeira. E a forma como você converte e movimenta esse dinheiro pode impactar o custo final da operação.

Uma alternativa para fazer pagamentos de quantias elevadas é a conta multimoedas da Wise. Ela permite manter saldo em mais de 40 moedas, incluindo dólar americano e peso argentino. Isso significa que você pode:

  • Converter reais para dólares usando o câmbio comercial;
  • Acompanhar a taxa de câmbio antes de fechar o negócio e converter no momento que considerar mais favorável;
  • Usar o cartão de débito internacional da Wise para pagamentos presenciais na Argentina;
  • Ter rastreabilidade total de todas as transações pelo app.

Diferente de bancos, que podem aplicar o câmbio turismo com margens embutidas, a Wise usa o câmbio comercial, que é o câmbio que você vê no Google — outras taxas podem ser aplicadas conforme a operação, Para quem está lidando com valores altos, essa diferença pode representar uma economia dependendo do valor e da operação.

Para abrir sua conta Wise e pedir o cartão de débito internacional, acesse o site da Wise. A abertura da conta e a solicitação do cartão não tem taxas para residentes do Brasil. Outros custos podem se aplicar conforme a operação.

Perguntas frequentes sobre como comprar carro na Argentina

Brasileiro pode comprar carro na Argentina como turista?

Sim, um brasileiro pode comprar um carro na Argentina sem ser residente, mas precisará do CDI e de um endereço fixo no país para registrar o veículo em seu nome. Comprar para uso local enquanto vive na Argentina é viável. Já a importação definitiva ao Brasil tem restrições importantes: o veículo não pode ser usado e você precisará cumprir todas as exigências aduaneiras brasileiras.

Qual documento o brasileiro precisa para comprar carro na Argentina?

Os documentos principais são: CDI (Clave de Identificación emitido pela ARCA), passaporte ou RG brasileiro válido (menos de 10 anos de emissão), certificado de domicílio fixo na Argentina e, para carros usados, a Ficha 08 Digital e a Verificação Policial (Formulário 12). Já a importação do veículo para o Brasil pode exigir outros documentos e licenças. Consulte um despachante aduaneiro.

É melhor pagar o carro em pesos argentinos ou em dólares?

Para veículos de maior valor, o dólar costuma ser a referência nas negociações na Argentina. O peso argentino tem alta volatilidade e inflação, o que torna o dólar uma moeda mais estável para transações grandes. Uma opção é converter seus reais para dólares usando um câmbio comercial. Plataformas como a Wise permitem fazer isso com custos informados antes de concluir a operação, o que pode facilitar o planejamento da compra. Saiba mais sobre a moeda da Argentina para entender como funciona a economia local.

Quanto custam os impostos para importar um carro da Argentina ao Brasil?

Os impostos de importação incluem II, IPI, PIS/COFINS e ICMS, e variam conforme o tipo, motorização e valor do veículo. O peso tributário pode ser significativo, dependendo do modelo e do valor declarado. Antes de tomar qualquer decisão, consulte a Receita Federal para verificar as alíquotas atualizadas e peça a um despachante aduaneiro uma simulação com o veículo específico que você está avaliando.

Posso dirigir um carro argentino no Brasil?

Para uso temporário, como turismo ou viagem, um carro com placa argentina pode circular no Brasil com a documentação argentina em ordem. Para morar permanentemente no Brasil com o veículo, é necessário passar pelo processo completo de importação. Atenção: existe uma diferença importante entre circular temporariamente e importar definitivamente. Se você pretende ficar com o carro no Brasil, a importação formal é obrigatória.

Onde posso pesquisar carros à venda na Argentina?

As principais plataformas são Autocosmos, Mercado Libre Autos e Car One. Para veículos zero-quilômetro, concessionárias oficiais das marcas são alternativas confiáveis. Para usados, verifique sempre a reputação do vendedor e exija a Verificação Policial antes de fechar qualquer negócio. Lembre-se que veículos usados não podem ser importados para o Brasil, salvo casos específicos.

O acordo automotivo entre Brasil e Argentina ajuda o consumidor?

O acordo automotivo bilateral do Mercosul (ACE 14) facilita o comércio entre montadoras e empresas do setor automotivo dos dois países, com cotas, benefícios fiscais e regras de origem específicas. Para pessoas físicas, no entanto, o acordo não traz benefícios diretos: os impostos de importação e a burocracia para trazer um carro ao Brasil como consumidor final continuam sendo os mesmos.

Fontes consultadas: